ORGANIZAÇÃO SOCIAL

Atualmente estamos organizados da seguinte forma:


Oerem é quem convida para sair junto com ele, para trabalhar junto, derrubar a roça, construir a casa, abrir caminho.

Existem alguns líderes na aldeia, mas o grande líder é um só, e é a palavra dele a mais importante, que deve ser ouvida e respeitada. Quando houver alguma coisa a ser realizada ou alguma decisão a ser tomada, deverá haver uma conversa no mïngye antes, que é a casa de reunião que fica no centro da aldeia.

Oempagetkeni (aquele que ensina tudo) é um sábio ou uma sábia. É com eles que se deve aprender. Eles podem contar as histórias que retratam os mitos, a origem do povo, como aprenderam as coisas e o jeito de viver, eles transmitem os ensinamentos que devem ser seguidos. Assim, um dos momentos de ensino e aprendizagem acontece quando a pessoa está sentada cantando, contando histórias ou ensinando a fazer algum instrumento, dizendo “filho faz assim, corta assim, amarra assim”.

Para ser considerado um bom trabalhador, deve-se realizar duas coisas essenciais: saber construir mïma sozinho, que é um conhecimento importante porque é a forma de casa pequena, e awetpïn, que é bater timbó sozinho. Assim será realmente visto como um trabalhador, assim era antigamente.

Com as mulheres o trabalho também era coletivo, sempre dividido, uma pessoa raspava a mandioca e a outra espremia a massa no ponmu, outra ralava, assim se realizava o trabalho antigamente, essa era a regra.

Na sociedade Ikpeng há o compromisso dos jovens para com os mais velhos que os criaram, ou seja, os pais criam e sustentam seus filhos que futuramente vão lhe retribuir, trabalhando e cuidando deles, devolvendo com generosidade o trabalho dispensando a eles


Os pajés são os cientistas do povo. Eles se comunicam com os espíritos dos seres vivos e ensinam para as pessoas, que não são pajés, como cada ser vive e como podemos manejar os recursos naturais onde existem os seres espirituais. Como o cientista não-indígena explica sobre a vida dos seres vivos para seu povo, assim nosso cientista tem explicação, tem uma teoria sobre cada ser vivo.

O pajé tem visão e se comunica com todos seres vivos, ele canta as músicas dos espíritos e sabe o nome de cada um. Os seres espirituais da natureza são como nós, eles têm seus próprios nomes. Por exemplo, a abelhinha que chamamos de Pangmontxi, tem um espírito que se chama Tirintirï. O pajé canta as músicas que aprende com esses espíritos.

Foto: Mari Corrêa