HISTÓRIA

Tivemos nossa origem no Amazonas (Pule) e fizemos uma trajetória muito grande, desde a origem até os dias de hoje. Naquela época nós éramos nômades, cada ano que se passava migrávamos para outro lugar, outro território, conforme os recursos naturais que precisávamos iam se acabando. Então fomos seguindo os rios Tapajós, Iriri e Teles Pires e durante essa trajetória nós encontrávamos outros povos indígenas com quem guerreávamos e também aprendíamos muitas coisas, como a tecelagem. Nessa época éramos destemidos e ainda somos, no passado atacávamos com freqüência as aldeias dos outros povos para roubar panelas de cerâmica, utensílios e raptar crianças.

Nessa trajetória chegamos ao sudoeste do Parque Indígena Xingu, no Estado de Mato Grosso, acompanhando o rio Batovi, Roro Walu (rio Jatobá) e Rapyo Akpo (rio Ronuro). Nesta região guerreávamos com índios Waura, Mehinaku, Nafukua, Trumai e Bakairi, que habitavam o sul do Xingu. Em meados da década de 50, fizemos uma última guerra contra o povo Waura, raptando duas crianças: Kamiru e Txialu. Em represália, os Waura, com armas de fogo obtidas de um branco, nos atacaram matando doze habitantes de nossa aldeia. Esperavam resgatar as duas meninas mas não conseguiram. Algum tempo depois, uma epidemia de gripe e de sarampo nos atacou, trazida por nossos inimigos e invasores do nosso território: garimpeiros e aventureiros, dizimando a metade da nossa população.

Em 1964 tivemos o primeiro contato pacífico com o homem branco, quando os irmãos Orlando e Cláudio Villas-Bôas vieram até nós oferecendo facões, machados, panelas de alumínio... A partir daquele momento nossa vida mudou muito porque tivemos que nos adaptar a um modo de vida bastante diferente do nosso.

Marite, Piwara, Davids Penewo,
Mekïrïmpo, Melobo Ikpeng e Pitoga Txikão

Desenho: Aro Tsilit Ikpeng